A relação entre a tireoide e a fertilidade
O funcionamento da tireoide influencia diretamente a fertilidade e a saúde da gestação. Os hormônios tireoidianos regulam processos fundamentais para a ovulação, a implantação do embrião e o desenvolvimento fetal. Quando a glândula tireoide não produz hormônios suficientes (hipotireoidismo), pode haver dificuldades para engravidar e um maior risco de complicações na gestação, como abortamento, parto prematuro e alterações no desenvolvimento neurológico do bebê.
Se você está tentando engravidar ou já está gestante, entender como o hipotireoidismo afeta esse período e qual a melhor abordagem para cuidar da sua saúde é essencial.
Hipotireoidismo na gravidez: o que pode acontecer?
Mulheres com hipotireoidismo não tratado ou mal controlado durante a gravidez podem ter mais dificuldade para engravidar e apresentar maior risco de complicações, incluindo:
- Dificuldade para ovular – O hipotireoidismo pode levar à anovulação (ausência de ovulação), o que reduz as chances de engravidar.
- Abortamento espontâneo – Alterações hormonais podem prejudicar a implantação do embrião e aumentar o risco de perda gestacional.
- Parto prematuro e complicações obstétricas – O funcionamento inadequado da tireoide está associado a maior risco de pré-eclâmpsia, restrição do crescimento fetal e trabalho de parto prematuro.
- Impacto no desenvolvimento neurológico do bebê – Os hormônios tireoidianos maternos são essenciais para o desenvolvimento cerebral do feto, principalmente nos primeiros meses de gestação.
Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para garantir uma gravidez saudável e reduzir riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.
Como é feito o diagnóstico do hipotireoidismo na gestação?
O diagnóstico do hipotireoidismo na gravidez é feito por meio da dosagem do TSH (hormônio estimulante da tireoide) e do T4 livre (tiroxina livre). Os valores de referência variam ao longo da gestação, e o acompanhamento médico é essencial para interpretar os exames corretamente e definir a melhor conduta.
Mulheres com histórico de hipotireoidismo, sintomas sugestivos ou fatores de risco (como doenças autoimunes e histórico familiar de disfunção tireoidiana) devem realizar um rastreamento da função tireoidiana, especialmente no início da gestação.
Quem precisa de tratamento com levotiroxina?
O tratamento com levotiroxina (LT4) é indicado para mulheres com hipotireoidismo clínico, ou seja, aquelas que apresentam TSH elevado e T4 livre reduzido. O ajuste da dose é feito de forma individualizada, considerando os níveis hormonais e a fase da gestação.
Nos casos de hipotireoidismo subclínico (TSH elevado, mas com T4 livre normal), a necessidade de tratamento depende de vários fatores, como presença de anticorpos antitireoidianos (anti-TPO), histórico de infertilidade e risco obstétrico. Por isso, a conduta deve ser avaliada pelo médico, que poderá decidir pelo início da levotiroxina ou pelo acompanhamento mais próximo da função tireoidiana.
Posso tomar levotiroxina durante a gestação?
Sim! A levotiroxina é o tratamento padrão para o hipotireoidismo e é segura na gestação. Pelo contrário, não tratar o hipotireoidismo pode ser prejudicial tanto para a mãe quanto para o bebê.
Mulheres que já fazem uso da medicação antes da gravidez podem precisar de ajustes na dose, pois a demanda hormonal aumenta durante a gestação. O ideal é que o ajuste seja feito precocemente, garantindo que o TSH permaneça dentro dos valores adequados para cada trimestre.
Dicas para manter a tireoide saudável na gestação
Além do tratamento adequado, alguns cuidados no dia a dia ajudam a manter a saúde da tireoide e favorecer uma gestação tranquila:
- Faça um acompanhamento médico regular – O pré-natal deve incluir a avaliação da função tireoidiana, especialmente em mulheres com fatores de risco.
- Mantenha uma alimentação equilibrada – O iodo é essencial para a produção dos hormônios tireoidianos, então é importante garantir sua ingestão adequada por meio de alimentos como peixes, laticínios e sal iodado.
- Evite o consumo excessivo de soja e crucíferos crus – Embora não haja necessidade de exclusão desses alimentos, o excesso pode interferir na função tireoidiana em algumas situações.
- Tome a levotiroxina corretamente – A medicação deve ser tomada em jejum, com um intervalo de pelo menos 30 a 60 minutos antes do café da manhã e 4 horas de distância de suplementos de ferro e cálcio, que podem interferir na absorção.
Conclusão: acompanhamento é fundamental!
Se você está tentando engravidar ou já está gestante, o acompanhamento da função tireoidiana é essencial para garantir uma gravidez saudável. O hipotireoidismo bem controlado não impede a gestação nem compromete o desenvolvimento do bebê, mas a falta de tratamento pode trazer riscos.
Se você tem dúvidas sobre sua tireoide e deseja uma avaliação personalizada, agende uma consulta com um endocrinologista para garantir que sua saúde está em equilíbrio para essa fase tão importante da vida.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.