Canetas emagrecedoras e treino: por que o cansaço pode aumentar e como adaptar os exercícios

Usa caneta para emagrecer e ficou mais cansado no treino? Entenda por que isso acontece e como ajustar alimentação, musculação e exercícios.

Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida, mudaram significativamente a forma como conseguimos tratar o excesso de peso.

Mas, junto com a redução do apetite e a perda de peso, algumas pessoas percebem outra mudança: o treino que antes parecia tranquilo começa a ficar mais difícil.

A carga diminui. O rendimento cai. Surge cansaço, tontura ou aquela sensação de que o corpo simplesmente não responde como antes.

Isso significa que a caneta está fazendo mal?

Não necessariamente.

Na prática, muitas vezes o problema não está apenas na medicação, mas na combinação entre perda rápida de peso, menor ingestão de alimentos e uma rotina de exercícios que continua exigindo a mesma quantidade de energia de antes. O material analisado destaca justamente que a fadiga não deve ser atribuída automaticamente ao medicamento e que déficit energético, baixa ingestão de proteínas e carboidratos, hidratação, sono e carga de treino também precisam ser considerados.

Por que o treino pode ficar mais difícil durante o emagrecimento?

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida reduzem o apetite e aumentam a saciedade.

Para quem antes tinha muita fome, isso costuma ser um grande benefício.

Mas existe uma consequência óbvia: se a pessoa sente menos fome, frequentemente passa a comer menos.

E às vezes muito menos.

O corpo, porém, continua precisando de energia para:

  • manter suas funções básicas;

  • preservar músculos;

  • trabalhar;

  • realizar as atividades do dia;

  • e, claro, treinar.

Quando a ingestão de energia cai de forma expressiva, mas a pessoa tenta manter exatamente o mesmo volume e intensidade de exercício, pode aparecer uma sensação importante de falta de energia.

No relato apresentado no material, uma paciente que perdeu mais de 20 kg ao longo de seis meses descreveu cansaço intenso, tontura e redução da capacidade de realizar os exercícios com as mesmas cargas usadas anteriormente.

Esse tipo de situação não significa que todo mundo precise diminuir o treino.

Significa que o treinamento precisa acompanhar o momento metabólico e nutricional do paciente.

A fadiga é efeito colateral da caneta?

Pode ser, mas essa não deve ser a única hipótese.

Esse é um ponto importante.

Se uma pessoa começa semaglutida, tirzepatida ou outro medicamento e passa a se sentir cansada, é tentador atribuir tudo à medicação.

Mas o próprio processo de emagrecimento pode comprometer o rendimento físico quando ocorre um déficit energético muito grande.

Além disso, quem passa a comer pouco também pode consumir quantidades insuficientes de:

  • proteínas;

  • carboidratos;

  • vitaminas;

  • minerais.

Sono inadequado, baixa hidratação e excesso de treinamento também precisam entrar nessa avaliação.

Ou seja:

o sintoma é real, mas a causa precisa ser investigada.

Não ignore o cansaço durante o exercício

Existe uma diferença importante entre o desconforto normal de um treino e uma mudança significativa de desempenho.

Se você percebe que cargas antes habituais ficaram muito difíceis, que está sentindo tontura, fraqueza ou queda importante da disposição, insistir na mesma intensidade nem sempre é a melhor estratégia.

No material analisado, o preparador físico entrevistado ressalta que o treino deve considerar o que a pessoa consegue fazer naquele momento e que a intensidade pode precisar ser reduzida temporariamente.

Isso não significa abandonar o exercício.

Significa adaptá-lo.

Conforme alimentação, peso e tolerância ao tratamento se estabilizam, o treinamento pode voltar a progredir.

Musculação fica ainda mais importante durante o emagrecimento

Ao perder peso, o objetivo não deveria ser simplesmente fazer o número da balança diminuir.

Queremos perder predominantemente gordura e preservar o máximo possível de massa muscular e função física.

E é aqui que o treinamento de força ganha enorme importância.

O próprio material destaca que exercícios aeróbicos contribuem para saúde cardiovascular e condicionamento, enquanto o treino de força tem papel importante na preservação da massa muscular.

Isso vale independentemente de o emagrecimento acontecer com medicação, cirurgia bariátrica ou intervenção de estilo de vida.

Por que preservar músculos importa tanto?

Músculos não têm apenas função estética.

Eles participam da:

  • força;

  • mobilidade;

  • independência funcional;

  • saúde metabólica;

  • capacidade de realizar exercícios;

  • manutenção da qualidade de vida.

Por isso, acompanhar apenas o peso corporal pode ser insuficiente.

Uma pessoa pode estar feliz porque perdeu muitos quilos enquanto, paralelamente, perde uma quantidade de massa magra maior do que gostaríamos.

O material reforça justamente a necessidade de observar a proporção entre gordura e massa magra, e não somente os quilos perdidos.

O que comer para conseguir treinar usando as canetas?

Esse talvez seja um dos pontos mais negligenciados.

A pessoa começa o tratamento, perde a fome e pensa:

“Se não estou com fome, melhor ainda. Vou comer o mínimo possível.”

Mas menos nem sempre é melhor.

Principalmente para quem treina.

Se a ingestão se torna pequena demais, pode ficar difícil fornecer ao organismo quantidade suficiente de proteína, carboidrato, vitaminas, minerais e energia.

Proteína precisa ser prioridade

Durante um processo de emagrecimento, proteína adequada é uma das estratégias fundamentais para preservar massa muscular.

Isso é ainda mais importante quando a pessoa pratica musculação ou outros exercícios de força.

Não significa viver de shakes.

Significa garantir que exista uma fonte adequada de proteína distribuída ao longo do dia, de acordo com as necessidades individuais.

E o carboidrato?

Carboidrato não precisa ser eliminado porque alguém está usando uma caneta para emagrecer.

Para quem pratica atividade física, ele pode ter papel importante no fornecimento de energia para o treino.

No material analisado, a recomendação é individualizar a alimentação, garantindo proteína adequada, hidratação e distribuição estratégica de carboidratos ao redor do treinamento quando necessário.

Isso é muito diferente de simplesmente recomendar “coma menos”.

Preciso diminuir o aeróbico?

Não obrigatoriamente.

Mas pode ser necessário ajustar temporariamente intensidade, duração ou modalidade.

Se correr ou fazer exercícios aeróbicos intensos está provocando tontura, fraqueza ou exaustão, por exemplo, pode ser mais sensato trocar temporariamente por:

  • caminhada;

  • bicicleta em intensidade tolerável;

  • dança;

  • atividades de menor impacto;

  • outras modalidades que a pessoa consiga manter com regularidade.

O melhor exercício não é aquele que parece mais “forte”.

É aquele que pode ser realizado com segurança, consistência e progressão.

Quanto mais rápido eu emagrecer, melhor?

Nem sempre.

Perdas expressivas de peso podem trazer grandes benefícios à saúde em pessoas com obesidade.

Mas o tratamento não deveria perseguir exclusivamente velocidade.

Se para emagrecer rapidamente o paciente deixa de comer adequadamente, passa a sentir fraqueza e abandona o exercício, talvez seja necessário rever a estratégia.

O objetivo do tratamento da obesidade não é chegar ao menor peso possível no menor tempo possível.

É melhorar saúde de forma sustentável.

O acompanhamento precisa olhar além da balança

Esse é um dos pontos mais importantes de todo esse tema.

Durante o acompanhamento de alguém em uso de medicamentos para obesidade, não basta perguntar:

“Quantos quilos você perdeu?”

Também importa saber:

  • Você está conseguindo comer adequadamente?

  • Está atingindo uma boa ingestão proteica?

  • Como está sua força?

  • Seu rendimento físico mudou?

  • Está treinando?

  • Está dormindo bem?

  • Está bem hidratado?

  • A perda de peso está acompanhada de preservação de massa muscular?

  • Existem sintomas que precisam ser investigados?

A própria reportagem mostra como o manejo pode envolver não apenas ajustes no treino, mas também revisão da alimentação e avaliação da composição corporal.

Então, qual é a melhor forma de treinar usando semaglutida ou tirzepatida?

Não existe uma única ficha de treino para quem usa essas medicações.

O tratamento precisa considerar:

  • idade;

  • condicionamento físico;

  • composição corporal;

  • quantidade e velocidade da perda de peso;

  • ingestão alimentar;

  • comorbidades;

  • objetivos individuais;

  • sintomas;

  • modalidade de exercício praticada.

Para algumas pessoas, será possível continuar treinando normalmente.

Para outras, será necessário reduzir temporariamente a intensidade.

E, para algumas, o problema não estará no treino estará no fato de que a alimentação ficou insuficiente para sustentá-lo.

O tratamento da obesidade não termina na prescrição da caneta

Semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos podem ser ferramentas extremamente eficazes.

Mas o objetivo não é apenas fazer você sentir menos fome.

É utilizar essa redução do apetite como parte de uma estratégia que permita melhorar saúde, composição corporal e qualidade de vida.

E isso envolve preservar músculos, manter atividade física, garantir alimentação adequada e ajustar o tratamento quando necessário.

A balança conta uma parte da história. Sua força, disposição e composição corporal contam o restante.

Está usando uma caneta para emagrecer e percebeu queda de rendimento nos treinos?

Se o exercício ficou muito mais difícil, surgiram cansaço, fraqueza ou uma redução importante da sua capacidade física, vale investigar antes de simplesmente abandonar o treino ou insistir na mesma intensidade.

Na consulta endocrinológica, podemos avaliar a velocidade da perda de peso, alimentação, composição corporal, sintomas e o tratamento como um todo para entender o que precisa ser ajustado.

O objetivo não é apenas emagrecer. É emagrecer preservando saúde, músculos e capacidade funcional.

Leia também

Se você está em tratamento para obesidade, veja também os conteúdos do blog sobre como preservar massa muscular durante o emagrecimento, como se alimentar usando as canetas e quando pode ser necessário investigar deficiências nutricionais durante o tratamento.

Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.

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Elisa Nico

Endocrinologista especializada em obesidade, tireoide, menopausa e bem-estar.