Sintomas como fogachos e secura vaginal ajudam a identificar o início da perimenopausa. Entenda os achados do estudo AMY e saiba o que fazer.
Você sente ondas de calor, insônia ou irritabilidade, mas seus exames e ciclos ainda são normais? Isso pode ser o começo da menopausa.
Muitas mulheres começam a sentir mudanças importantes no corpo como fogachos, perda de memória ou alterações de humor mesmo antes de parar de menstruar. Mas o que realmente indica o início da transição menopausal? Um estudo recente com mais de 8 mil mulheres australianas trouxe dados inéditos sobre os sintomas que realmente importam para entender essa fase da vida.
Neste artigo, explico os principais achados do estudo AMY (Australian Women’s Midlife Years), o maior já feito com mulheres na meia-idade, e como esses dados podem ajudar você a reconhecer e cuidar melhor da sua saúde nessa fase de transição.
O que é a perimenopausa e por que é tão difícil de identificar?
A perimenopausa é o período que antecede a última menstruação, mas o diagnóstico não é tão simples. A definição atual ainda depende da mudança no padrão dos ciclos menstruais, algo pouco útil para quem tem ciclos irregulares, fez histerectomia, usa anticoncepcional hormonal ou está em transição silenciosa, sem alterações marcantes.
Além disso, os exames hormonais não são confiáveis nessa fase, pois os níveis de estrogênio e FSH variam muito de um dia para o outro.
Quais sintomas realmente sinalizam o início da menopausa?
O estudo AMY avaliou a prevalência e gravidade de sintomas em mulheres entre 40 e 69 anos, divididas por fase do ciclo reprodutivo segundo os critérios STRAW+10. Os resultados mostraram que:
Fogachos (ondas de calor) foram o sintoma mais marcante da transição: a prevalência saltou de 8,8% na pré-menopausa para 37,3% na perimenopausa tardia.
Secura vaginal também aumentou significativamente durante a transição.
Outros sintomas como alteração de memória, dor musculoesquelética, insônia e humor deprimido foram comuns em todas as fases, inclusive na pré-menopausa, o que dificulta seu uso como critério diagnóstico.
📌 Conclusão importante: a combinação de alteração no fluxo menstrual com sintomas vasomotores (fogachos, suores noturnos) parece ser o melhor indicativo clínico de que a perimenopausa começou mesmo quando os exames ou os ciclos ainda parecem normais.
Muitas mulheres sintomáticas ainda não recebem o tratamento adequado
Cerca de 40% das mulheres na perimenopausa tardia relataram sintomas vasomotores moderados a intensos. No entanto, grande parte dessas mulheres não está sendo tratada, em parte porque a terapia hormonal da menopausa (THM) só é oficialmente indicada após a menopausa estabelecida.
Isso gera uma lacuna no cuidado: muitas mulheres sofrem com sintomas intensos, mas não têm acesso a opções terapêuticas aprovadas ou indicadas para essa fase. Além disso, sintomas vaginais como secura e dor na relação sexual seguem sendo pouco tratados mesmo com tratamentos seguros e eficazes, como o estrogênio vaginal local.
Outros sintomas devem ser avaliados com cautela
Embora sintomas como ansiedade, alterações de humor, insônia e dor muscular sejam comuns, eles têm causas multifatoriais, incluindo estresse, tabagismo, desemprego ou falta de apoio familiar. Por isso, não devem ser atribuídos automaticamente à menopausa, principalmente quando não estão acompanhados de sintomas vasomotores.
Por que isso importa para você?
Reconhecer o início da perimenopausa mesmo antes da última menstruação é essencial para prevenir o agravamento dos sintomas, preservar a qualidade de vida e buscar o cuidado certo na hora certa. Não é “coisa da sua cabeça” sentir ondas de calor, insônia ou mudanças no humor mesmo com exames “normais”.
Se você sente que algo mudou no seu corpo, mesmo que os ciclos estejam regulares, vale conversar com uma médica que entenda desse momento de transição. Há formas de aliviar os sintomas e recuperar o bem-estar com segurança e respaldo científico.
Quer entender melhor o que está acontecendo com o seu corpo?
Você não está sozinha. A menopausa pode ser confusa e invisível para muitos profissionais de saúde, mas não precisa ser assim. Marque uma consulta para um olhar individualizado, acolhedor e baseado nas melhores evidências.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.