Novo medicamento sem hormônios promete aliviar os fogachos da menopausa

O Lynkuet, novo medicamento aprovado pelo FDA, reduz os fogachos da menopausa sem usar hormônios. Entenda como ele age e o que esperar no Brasil.

Um novo capítulo no tratamento da menopausa

Os fogachos, aquelas ondas de calor que aparecem de repente e muitas vezes vêm acompanhadas de suor e palpitação, continuam sendo um dos sintomas mais incômodos da menopausa. Embora a terapia hormonal ainda seja o tratamento mais eficaz, nem todas as mulheres podem ou desejam utilizá-la.

Agora, surge uma nova alternativa: o Lynkuet (elinzanetant), recém-aprovado pelo FDA, nos Estados Unidos. Ele é o primeiro medicamento sem hormônios aprovado especificamente para tratar fogachos moderados a intensos na menopausa.

Como o Lynkuet funciona

Durante a menopausa, a queda do estrogênio afeta o hipotálamo, região do cérebro que regula a temperatura corporal, tornando-o mais sensível e provocando os episódios de calor. O Lynkuet age diretamente nesse centro cerebral, bloqueando substâncias químicas chamadas neuroquininas que estão envolvidas nesse descontrole.

Nos estudos clínicos, o uso diário do Lynkuet reduziu em cerca de 70% a frequência e a intensidade dos fogachos, com efeitos sustentados ao longo de um ano. Os efeitos colaterais mais comuns foram leves, como sonolência, cansaço e dor de cabeça.

Outras opções não hormonais em desenvolvimento

O Lynkuet se junta a outro medicamento de ação semelhante, o Veozah (fezolinetant), também aprovado recentemente nos Estados Unidos. Ambos atuam no mesmo mecanismo cerebral, mas o Lynkuet tem um alcance mais amplo ao bloquear dois tipos de receptores (NK1 e NK3), enquanto o fezolinetant age apenas em um.

Esses medicamentos representam uma nova geração de terapias não hormonais para a menopausa eficazes, seguras e bem-vindas principalmente para mulheres com contraindicação à reposição hormonal, como histórico de câncer de mama ou trombose.

Quando chega ao Brasil?

O fezolinetant já teve pedido de registro submetido à Anvisa, e o Lynkuet deve seguir o mesmo caminho em breve. A expectativa é que cheguem ao mercado brasileiro entre 2026 e 2027, inicialmente por importação e, depois, nas farmácias especializadas.

Nos Estados Unidos, o custo mensal do tratamento é estimado em torno de 3 mil reais, o que indica que o acesso inicial no Brasil deve ser restrito, mas tende a se ampliar com o tempo.

O que isso representa na prática

Para muitas mulheres, o Lynkuet traz esperança de viver a menopausa com mais conforto e qualidade de vida, sem precisar recorrer a hormônios. Ele não substitui a terapia hormonal que continua sendo o tratamento de escolha para várias mulheres, mas amplia as opções de cuidado, permitindo uma abordagem mais individualizada.

A menopausa é um momento de transformação, e cada mulher merece um plano de tratamento que respeite seu corpo, seu histórico e suas preferências.

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Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.

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Elisa Nico

Endocrinologista especializada em obesidade, tireoide, menopausa e bem-estar.