Entenda por que a menopausa aumenta o risco de gordura no fígado (MASLD) e conheça os novos tratamentos que estão sendo estudados para mulheres nessa fase.
Por que falar sobre menopausa e gordura no fígado?
A menopausa não afeta só os hormônios e o humor. Ela também tem impacto direto na forma como o corpo armazena gordura — inclusive no fígado. O acúmulo de gordura hepática é uma condição chamada hoje de MASLD (doença hepática associada à disfunção metabólica). E sim, ela é muito mais comum em mulheres após a menopausa.
Com a queda dos níveis de estrogênio, ocorre uma redistribuição da gordura corporal — que passa a se acumular mais na região abdominal e visceral. Isso aumenta o risco de inflamação hepática, resistência à insulina e progressão da doença hepática.
O que a ciência descobriu sobre esse risco maior?
Segundo uma revisão publicada na Biomedicines (abril/2025), mulheres na pós-menopausa têm risco aumentado de desenvolver MASLD por vários fatores interligados:
- Queda de estrogênio, que leva à perda do efeito protetor sobre o fígado;
- Aumento da gordura visceral, que é inflamatória e acelera a progressão da doença hepática;
- Mais resistência à insulina e risco cardiovascular, que frequentemente coexistem com a MASLD;
- Alterações na microbiota intestinal, que também influenciam a saúde hepática.
Além disso, o estudo destaca que a MASLD tem impacto não só no fígado, mas também está ligada ao aumento do risco de demência, doenças cardíacas e diabetes tipo 2 — todas condições mais prevalentes em mulheres na pós-menopausa.
E os tratamentos? O que há de novo para as mulheres nessa fase?
O artigo traz uma novidade promissora: o desenvolvimento de terapias específicas para mulheres na menopausa, que combinem ação metabólica e hormonal. Entre os destaques:
- Agonistas duplos GLP-1–estrógeno: uma abordagem que visa oferecer os benefícios da regulação glicêmica e da perda de gordura dos agonistas de GLP-1 (como a semaglutida) com a ação protetora do estrogênio no fígado e no cérebro.
- Embora ainda estejam em fase de estudo, essa associação pode representar um avanço importante para o tratamento da gordura no fígado em mulheres.
Como se proteger desde já
Mesmo com os avanços nos tratamentos, a base continua sendo o estilo de vida:
- Manter uma alimentação rica em fibras, vegetais e gorduras boas;
- Praticar atividade física regularmente;
- Controlar peso, glicemia e colesterol;
- Avaliar com seu médico a possibilidade de terapia hormonal da menopausa, quando bem indicada.
Conclusão: o fígado também sente a menopausa
A gordura no fígado é mais uma peça desse quebra-cabeça complexo que é a transição hormonal da mulher. Entender os mecanismos por trás desse risco é o primeiro passo para um cuidado mais completo e personalizado.
Se você está passando por essa fase e quer um olhar atento e atualizado sobre a sua saúde hormonal e metabólica, agende uma consulta comigo. A menopausa não precisa ser um período de sofrimento — e sim de autocuidado e novas possibilidades.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.