Estudo brasileiro revela associação entre adoçantes artificiais e declínio cognitivo em adultos. Entenda os riscos e o que muda na sua escolha alimentar.
Será que o que você usa para “adoçar sem culpa” pode estar afetando sua memória?
Nos últimos anos, os adoçantes de baixa ou nenhuma caloria (como aspartame, sacarina, eritritol, xilitol e outros) se popularizaram como alternativas ao açúcar. Estão em refrigerantes diet, produtos “zero”, balas, chicletes e até em remédios.
Mas um novo estudo brasileiro, publicado recentemente e com 8 anos de acompanhamento, traz uma pergunta inquietante: adoçantes artificiais podem acelerar o declínio da memória e da função cognitiva?
A resposta pode ser mais relevante do que você imagina, especialmente se você os consome todos os dias.
O que mostrou o estudo do ELSA-Brasil?
Estudo nacional, dados sólidos
Pesquisadores analisaram os dados de mais de 12 mil servidores públicos brasileiros, com 35 anos ou mais, acompanhados ao longo de 8 anos pelo ELSA-Brasil, um dos maiores estudos longitudinais de saúde da América Latina.
A análise focou no consumo diário de sete tipos de adoçantes:
Aspartame
Sacarina
Acessulfame K
Eritritol
Xilitol
Sorbitol
Tagatose
Os participantes fizeram testes de memória, fluência verbal e cognição global em três momentos (2008, 2012 e 2017). O objetivo era entender se o consumo frequente desses adoçantes estava associado a piora nas funções cognitivas com o passar do tempo.
Quais foram os principais achados?
Declínio cognitivo acelerado em quem consumia mais adoçantes
Entre os participantes com menos de 60 anos, quem estava entre os maiores consumidores de adoçantes apresentou:
Um declínio mais rápido na fluência verbal (capacidade de encontrar palavras)
Piora mais acentuada na cognição global (memória, atenção, linguagem e raciocínio)
O efeito foi ainda mais claro em:
Pessoas sem diabetes: piora na fluência verbal e cognição global
Pessoas com diabetes: declínio mais acelerado da memória
Ou seja, o risco não estava limitado ao público diabético, que tradicionalmente é mais exposto ao uso de adoçantes.
Mas por que os adoçantes afetariam o cérebro?
O estudo não prova uma relação de causa e efeito, mas levanta hipóteses possíveis:
Alterações na microbiota intestinal, que se comunica diretamente com o cérebro
Estresse oxidativo causado por metabólitos dos adoçantes
Efeitos específicos de substâncias como aspartame em neurotransmissores
Além disso, o uso crônico e frequente pode gerar efeitos acumulativos ainda pouco compreendidos, o que reforça a importância da moderação e da cautela.
Devo parar de consumir adoçantes?
Não é necessário pânico, mas sim escolhas conscientes.
Se você usa esporadicamente, de forma pontual, o risco é provavelmente baixo.
Mas se consome todos os dias, em grandes quantidades, vale a pena reavaliar.
Lembre-se: o objetivo nunca deve ser “trocar o açúcar por qualquer coisa que adoça”, e sim reeducar o paladar para depender cada vez menos de sabores excessivamente doces seja com açúcar ou adoçantes.
O que você pode fazer na prática
Prefira alimentos in natura e com sabor natural
Reduza o uso de produtos ultraprocessados “zero” ou “diet”
Se precisar de um adoçante, use com moderação
Atenção à rotulagem: muitos produtos escondem adoçantes na lista de ingredientes
Adoçante faz parte da sua rotina diária? Isso pode ser um sinal de alerta
Se você sente que precisa de algo doce o tempo todo, ou consome produtos com adoçante várias vezes ao dia, talvez seja hora de um novo plano alimentar mais equilibrado, estratégico e realmente sustentável.
Marque sua consulta para entender como sua alimentação pode ser ajustada de forma personalizada, com foco em saúde metabólica e saúde cerebral.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.