O IMC das mulheres tende a aumentar até os 60 anos, com ganho mais acentuado antes da menopausa. Entenda por que isso acontece e como agir a tempo.
A transição menopausal é uma janela de oportunidade para o cuidado
Um estudo publicado na revista Menopause analisou dados de mais de 17 mil mulheres e mostrou que o índice de massa corporal (IMC) tende a aumentar progressivamente com a idade, atingindo o pico por volta dos 60 anos.
Mas o dado mais interessante foi outro: esse aumento é mais acentuado antes da menopausa, o que reforça a importância de atuar precocemente na prevenção do ganho de peso e da obesidade.
O que o estudo mostrou
Pesquisadores da Universidade de Toronto analisaram informações de mulheres que participaram do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) entre 1999 e 2018.
Foram incluídas 11.337 mulheres pré-menopáusicas e 5.844 mulheres pós-menopáusicas.
Principais achados:
O IMC médio das mulheres pré-menopáusicas aumentou de 27,7 kg/m² em 1999 para 30,2 kg/m² em 2018.
Entre as pós-menopáusicas, o IMC médio subiu de 28,7 kg/m² para 29,7 kg/m² no mesmo período.
O IMC no percentil 50 (mediana) chegou ao pico aos 60 anos, tanto para pré quanto para pós-menopáusicas.
Após os 60, observou-se uma tendência de redução, associada à perda de massa muscular e à fragilidade.
Em resumo, o ganho de peso é mais rápido e pronunciado na pré-menopausa, e tende a se estabilizar ou até diminuir após os 60 anos.
Por que o peso aumenta tanto antes da menopausa?
Durante a transição menopausal, há flutuações hormonais importantes, especialmente na produção de estrogênio.
Essas mudanças afetam:
A distribuição de gordura corporal, com maior acúmulo na região abdominal;
A sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose;
A massa muscular, que tende a diminuir, reduzindo o gasto energético basal.
Esses fatores se somam à queda natural do gasto energético com a idade e ao estilo de vida, menos atividade física, mais estresse e sono de pior qualidade criando o cenário ideal para o ganho de peso.
O impacto do excesso de peso na pós-menopausa
A obesidade nessa fase está associada a diversas complicações:
Sarcopenia e fragilidade;
Perda muscular e redução de força;
Maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares;
Alterações cognitivas e pior qualidade de vida.
O estudo reforça que a prevenção deve começar antes da menopausa, quando as mudanças metabólicas já estão em curso e ainda há mais facilidade para agir.
Novas terapias e estratégias integradas
Os autores destacam que novas terapias contra a obesidade, como os agonistas do receptor de GLP-1, podem ser especialmente úteis para mulheres nesse período de transição.
Mas o tratamento vai além do medicamento: ele deve integrar mudanças no estilo de vida, treino de força e acompanhamento médico personalizado.
A mensagem prática
A menopausa não é o início do ganho de peso, é o resultado de um processo que começou antes.
Por isso, atuar precocemente é essencial para manter a saúde metabólica, massa muscular e qualidade de vida.
Quanto mais cedo a mulher entende e age sobre as mudanças hormonais e metabólicas do corpo, mais chances tem de atravessar a menopausa com leveza, energia e equilíbrio.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.