Terapia hormonal pode potencializar a perda de peso com tirzepatida na menopausa?

Estudo sugere que mulheres na menopausa em terapia hormonal podem perder mais peso com tirzepatida. Entenda o que isso significa.

A menopausa traz muitas mudanças para o corpo da mulher. Entre elas, uma das mais frustrantes costuma ser o ganho de peso, especialmente na região abdominal, mesmo quando a alimentação e a rotina permanecem parecidas com as de anos anteriores.

Não é raro ouvir relatos como:

“Faço tudo certo, mas meu corpo parece não responder mais da mesma forma.”

Nos últimos anos, medicamentos como a tirzepatida transformaram o tratamento da obesidade. Mas uma nova pesquisa trouxe uma pergunta interessante: será que os hormônios femininos também influenciam a resposta ao emagrecimento?

Um estudo recente sugere que sim.

Menopausa e ganho de peso: existe uma relação?

Muitas mulheres associam o ganho de peso da meia-idade apenas ao envelhecimento. Embora a idade tenha seu papel, a menopausa adiciona fatores importantes a essa equação.

Com a redução dos níveis de estrogênio, ocorrem mudanças que favorecem:

  • Aumento da gordura abdominal e visceral;

  • Redução da massa muscular;

  • Diminuição do gasto energético;

  • Alterações na sensibilidade à insulina;

  • Maior dificuldade para manter o peso ao longo do tempo.

Além disso, sintomas como insônia, fadiga, fogachos e alterações de humor podem impactar hábitos alimentares e níveis de atividade física.

O resultado é que muitas mulheres sentem que precisam se esforçar muito mais para obter resultados semelhantes aos de anos anteriores.

O que o estudo avaliou?

Pesquisadores da Mayo Clinic analisaram mulheres pós-menopáusicas com sobrepeso ou obesidade que utilizavam tirzepatida para tratamento do excesso de peso.

O objetivo era entender se o uso concomitante de terapia hormonal da menopausa poderia influenciar os resultados obtidos com a medicação.

Foram comparadas mulheres que utilizavam terapia hormonal com mulheres que não faziam uso dos hormônios.

Mulheres em terapia hormonal perderam mais peso

O principal achado chamou atenção.

As mulheres que utilizavam terapia hormonal apresentaram uma perda de peso significativamente maior durante o tratamento com tirzepatida.

Ao final do acompanhamento:

  • Usuárias de terapia hormonal perderam, em média, 19,2% do peso corporal;

  • Não usuárias perderam, em média, 14,0%.

Na prática, isso representou uma perda de peso aproximadamente 35% maior entre as mulheres que faziam terapia hormonal.

Além disso, mais mulheres desse grupo atingiram metas importantes de perda de peso, como reduções superiores a 20%, 25% e até 30% do peso corporal.

Por que isso pode acontecer?

Ainda não existe uma resposta definitiva.

Como o estudo foi observacional, ele demonstra uma associação, mas não consegue provar causa e efeito.

Mesmo assim, existem algumas hipóteses biologicamente plausíveis.

O estrogênio influencia o metabolismo

O estrogênio participa da regulação de diversos mecanismos ligados ao controle do peso corporal.

Entre eles:

  • Distribuição da gordura corporal;

  • Sensibilidade à insulina;

  • Preservação da massa muscular;

  • Controle do apetite;

  • Gasto energético.

A deficiência estrogênica da menopausa pode favorecer justamente alterações que dificultam o emagrecimento.

O cérebro também pode participar desse processo

Estudos experimentais sugerem que o estrogênio pode interagir com vias cerebrais relacionadas ao apetite e à recompensa alimentar.

Essas são as mesmas regiões onde medicamentos como a tirzepatida exercem parte dos seus efeitos.

Por isso, pesquisadores levantam a hipótese de que o ambiente hormonal possa influenciar a intensidade da resposta aos agonistas de GLP-1 e GLP-1/GIP.

Melhor sono e mais disposição também podem ajudar

Outro fator importante é que a terapia hormonal pode melhorar sintomas da menopausa em mulheres adequadamente selecionadas.

Quando fogachos, insônia e fadiga melhoram, torna-se mais fácil:

  • Manter uma rotina de exercícios;

  • Fazer escolhas alimentares consistentes;

  • Preservar massa muscular;

  • Sustentar hábitos saudáveis a longo prazo.

Isso significa que toda mulher que usa tirzepatida deveria fazer terapia hormonal?

Não.

Essa é uma das mensagens mais importantes do estudo.

A terapia hormonal da menopausa não é um tratamento para emagrecer.

Ela deve ser considerada quando existe indicação clínica, após avaliação individualizada dos sintomas, histórico médico, fatores de risco e preferências da paciente.

A decisão precisa ser compartilhada entre médica e paciente.

O que este estudo muda na prática?

Talvez a principal mensagem seja que o tratamento da obesidade na menopausa não deve focar apenas na balança.

A menopausa modifica profundamente o funcionamento do organismo. Por isso, entender o contexto hormonal da paciente pode ser tão importante quanto escolher a medicação mais moderna.

Em algumas mulheres, avaliar sintomas como fogachos, alterações do sono, perda de massa muscular e qualidade de vida pode fazer parte de uma estratégia mais completa de cuidado.

A menopausa exige uma visão mais ampla da saúde

Durante muito tempo, os sintomas da menopausa foram minimizados ou considerados algo que a mulher simplesmente deveria suportar.

Hoje sabemos que essa fase pode impactar significativamente o peso, a composição corporal, a saúde cardiovascular, o sono, o humor e a qualidade de vida.

Estudos como este reforçam uma ideia cada vez mais clara: tratar obesidade em mulheres na menopausa exige olhar para o corpo como um todo e não apenas para os números da balança.

Quer entender melhor como a menopausa influencia seu peso?

Se você percebe que o emagrecimento ficou mais difícil após a menopausa, uma avaliação individualizada pode ajudar a identificar fatores hormonais, metabólicos e comportamentais envolvidos nesse processo.

Agende sua consulta para uma abordagem personalizada e baseada em evidências.

Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.

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Elisa Nico

Endocrinologista especializada em obesidade, tireoide, menopausa e bem-estar.