Veja os principais aprendizados do Obesity Experience e entenda por que tratar a obesidade vai muito além de “emagrecer”.
O que aprendi no Obesity Experience: reflexões atuais sobre o tratamento da obesidade
No último fim de semana, participei do Obesity Experience, um evento promovido pela Novo Nordisk que reuniu especialistas para discutir, de forma profunda e realista, os desafios e avanços no tratamento da obesidade. A seguir, compartilho com você algumas das reflexões mais marcantes — insights que ajudam a mudar a forma como vemos e conduzimos esse cuidado tão essencial.
- A inflamação é a base do problema. E shots de “imunidade” não são o tratamento.
A obesidade é, antes de tudo, uma doença inflamatória crônica. E não, não se trata com suco verde ou shots milagrosos — mas com mudança de estilo de vida e, quando necessário, medicação baseada em evidências. É sobre tratar o que está na raiz, com ciência e estratégia.
- Toda perda de peso real envolve algum grau de perda muscular.
Mas isso não significa que você esteja perdendo força ou saúde. Quando o tratamento é bem conduzido, o que acontece é a redução da mioesteatose — a gordura infiltrada dentro do músculo. Ou seja, mesmo que a balança indique um pouco menos de massa magra, a qualidade muscular melhora.
- Para cada 3 kg de gordura eliminados, uma perda de 1 kg de músculo pode ser esperada.
Por isso, o acompanhamento é fundamental. Estratégias nutricionais, orientação para atividade física e ajuste cuidadoso da dose da medicação fazem toda a diferença nesse equilíbrio.
- Resistência à insulina atrapalha o emagrecimento.
A insulina é um hormônio anabólico — e sua resistência pode dificultar a perda de peso. Tratar essa condição metabólica é essencial para que o processo seja mais eficaz e sustentável.
- A ingestão de proteína deve ser ajustada.
Pacientes em uso de medicações antiobesidade podem ter uma demanda proteica maior, algo em torno de 1,4g/kg por dia, distribuídos ao longo das refeições. Isso garante a presença constante de aminoácidos no sangue, favorecendo a preservação da massa muscular.
- Nutrição estratégica é indispensável.
Um bom nutricionista ajusta o plano alimentar para aproveitar a fase de apetite reduzido e alcançar déficits calóricos maiores com segurança e personalização.
- Suplementação pode ter papel coadjuvante.
Vitamina D, creatina, HMB e whey protein foram citados como suplementos com evidência para suporte da saúde muscular em determinados pacientes. Claro: sempre com prescrição individualizada.
- Tratar obesidade exige escuta. E escutar exige tempo.
Essa talvez tenha sido a reflexão mais pessoal do evento. O tratamento da obesidade é complexo, emocional e exige escuta ativa, vínculo e disponibilidade. E é por isso que, na minha prática, não atendo planos de saúde — porque esse cuidado exige tempo, e tempo exige estrutura.
Obesidade é doença. Tratar é respeito.
Se você vive com obesidade, saiba que não está sozinho. A medicina já avançou muito e hoje temos ferramentas eficazes, seguras e com respaldo científico. O primeiro passo é procurar ajuda especializada — com acolhimento, escuta e estratégia.
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Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.