Você fez bariátrica e tem medo de recuperar o peso? Veja o que a ciência diz e como enfrentar esse desafio com acompanhamento certo.
É normal ter medo do reganho de peso depois da cirurgia bariátrica?
Sim. Esse medo é mais comum do que parece — e tem fundamento. Estudos recentes mostram que parte dos pacientes pode recuperar parte do peso perdido após alguns anos da cirurgia. Mas calma: isso não significa que o tratamento “deu errado” ou que não há mais o que fazer.
Um dos maiores estudos sobre o tema acompanhou pacientes por quase 30 anos após a cirurgia e mostrou que, mesmo entre os que tiveram algum reganho de peso, a mortalidade e o risco de câncer continuaram mais baixos em comparação com quem não fez a cirurgia. O que mudou foi o risco cardiovascular: pacientes que voltaram a ganhar peso tiveram mais eventos, principalmente microvasculares, como complicações renais e retinopatia diabética.
Por que o reganho de peso acontece?
A cirurgia bariátrica transforma a anatomia e a fisiologia do sistema digestivo, mas não elimina todos os fatores envolvidos na obesidade. Entre os motivos mais comuns para o reganho estão:
- Redução da saciedade com o passar do tempo
- Ingestão calórica maior do que o necessário
- Menor prática de atividade física
- Alterações hormonais
- Fatores emocionais ou psiquiátricos
- Adaptação do trato gastrointestinal, que volta a absorver mais
Ou seja, mesmo após a cirurgia, o acompanhamento contínuo é essencial.
Quanto de reganho é considerado preocupante?
Não é qualquer variação de peso que representa um alerta. O estudo mais recente considerou como significativo o reganho de 20% do peso perdido após o primeiro ano da cirurgia. E mesmo nesse cenário, os pacientes ainda tinham melhor expectativa de vida do que os que não operaram.
O que muda é o risco de doenças crônicas e a qualidade de vida — por isso, vale a pena investigar precocemente.
Tem como evitar o reganho de peso?
A resposta é: não existe garantia, mas existe prevenção. O segredo está no acompanhamento de longo prazo. Aqui vão algumas estratégias que fazem a diferença:
- Manter o seguimento com equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico)
- Ajustar a alimentação conforme o tempo de pós-operatório
- Praticar atividade física com regularidade
- Monitorar exames laboratoriais e composição corporal
- Avaliar, quando necessário, o uso de medicamentos para evitar o reganho
Inclusive, estudos mostram que pacientes que recuperam peso têm, em média, menor adesão ao exercício e maior ingestão calórica.
E se o reganho já aconteceu? Ainda vale a pena agir?
Com certeza. Mesmo quem já teve reganho pode — e deve — intervir. Não se trata apenas do número na balança, mas de retomar o controle da saúde metabólica.
Hoje, contamos com recursos que vão desde estratégias nutricionais e comportamentais até novas opções de medicamentos antiobesidade que ajudam a estabilizar o peso e evitar complicações.
Não desanime. Você não está sozinho.
O medo do reganho é real, mas não precisa ser enfrentado sozinho. Cuidar da saúde é um processo contínuo, e cada fase exige um olhar diferente. Se você passou por uma cirurgia bariátrica (ou está pensando em fazer), converse com seu médico, revise suas metas e, principalmente, não se culpe. O mais importante é ter acompanhamento qualificado e humano.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.