Estudos sugerem que reduzir o uso dos agonistas de GLP-1 para aplicações quinzenais pode ajudar a manter o peso e os benefícios metabólicos. Entenda.
Uma nova etapa no tratamento com GLP-1
Após atingir o peso desejado, muitos pacientes se perguntam: “Vou precisar usar o medicamento para sempre?”
Essa dúvida é cada vez mais comum entre pessoas que utilizam agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida ou a tirzepatida, para o tratamento da obesidade.
Durante o Obesity Week 2025, um estudo apresentado pelo Dr. Mitch Biermann, do Scripps Health (EUA), trouxe uma proposta interessante: reduzir a frequência das aplicações para uma vez a cada duas semanas após a estabilização do peso e melhora metabólica.
O que o estudo mostrou
O trabalho acompanhou 30 pacientes que haviam atingido o peso ideal e/ou controle de comorbidades com o uso semanal de GLP-1. Eles aceitaram testar um novo esquema, aplicando o medicamento a cada duas semanas.
A maioria manteve o peso e os parâmetros metabólicos estáveis.
Apenas 4 dos 30 pacientes voltaram a ganhar peso e precisaram retornar à aplicação semanal.
Em média, houve até uma pequena perda adicional (1–1,5 kg) após o desescalonamento.
Os participantes usavam doses intermediárias, e não as máximas. Isso reforça que a eficácia do GLP-1 não depende apenas da dose, mas da consistência e do acompanhamento médico.
Por que esse tema é importante
Os medicamentos da classe dos GLP-1 transformaram o tratamento da obesidade, mas o custo e o tempo de uso ainda geram dúvidas. Estratégias de manutenção, como o desescalonamento, surgem justamente para equilibrar resultados, segurança e sustentabilidade do tratamento a longo prazo.
No entanto, ainda não existe um protocolo padronizado. Essa redução da frequência deve ser feita somente com acompanhamento médico, especialmente para evitar reganho de peso e perda dos benefícios metabólicos.
O que isso significa na prática
Para alguns pacientes, aplicar o medicamento a cada duas semanas pode funcionar como uma fase de manutenção, após o emagrecimento e estabilização metabólica.
Mas não é uma fórmula universal. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, considerando fatores como:
Tempo de uso e resposta clínica ao GLP-1;
Presença de comorbidades (como diabetes ou resistência à insulina);
Hábitos alimentares e rotina de atividade física;
Aspectos psicológicos e comportamentais relacionados ao peso.
E o estilo de vida continua sendo essencial
Mesmo com o melhor esquema farmacológico, o sucesso duradouro depende do estilo de vida.
Sono adequado, alimentação equilibrada, movimento diário e manejo do estresse continuam sendo pilares fundamentais para manter a saúde metabólica e o peso a longo prazo.
Em resumo
Os primeiros resultados sobre o desescalonamento dos GLP-1 são promissores, mostrando que alguns pacientes podem manter o peso e os ganhos metabólicos com aplicações quinzenais.
Mas, por enquanto, essa é uma estratégia experimental, que precisa de mais estudos e deve sempre ser conduzida com orientação médica.
Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.