GLP-1 como Ozempic e Mounjaro entram na lista de medicamentos essenciais da OMS, com foco em diabetes tipo 2 e doenças associadas.
O que são medicamentos essenciais?
A Lista de Medicamentos Essenciais da OMS é uma seleção de fármacos que a Organização Mundial da Saúde considera prioritários para todos os sistemas de saúde. Estar nessa lista não significa apenas eficácia, mas também importância para a saúde pública global, com potencial para melhorar o acesso a tratamentos de alto impacto especialmente em países de baixa e média renda.
E agora, pela primeira vez, os agonistas do receptor de GLP-1 entraram para essa lista.
Quais medicamentos GLP-1 foram incluídos?
A OMS incluiu os princípios ativos de dois medicamentos bem conhecidos:
Semaglutida (Ozempic) – da Novo Nordisk
Tirzepatida (Mounjaro) – da Eli Lilly
Importante: a inclusão foi direcionada ao tratamento do diabetes tipo 2, especialmente em pacientes com:
Doença cardiovascular estabelecida
Doença renal crônica
Obesidade associada
Por que essa decisão é tão importante?
Avanço na equidade
Estar na lista não garante acesso imediato, mas abre portas para negociações de preço e produção de genéricos. Já vimos isso acontecer com o tratamento do HIV nos anos 2000, quando a inclusão na lista da OMS contribuiu para aumentar a disponibilidade em países mais pobres.
Reconhecimento do impacto metabólico e cardiovascular
Os GLP-1 mostraram benefícios que vão além do controle glicêmico:
Redução de peso
Menor progressão para diabetes
Redução de eventos cardiovasculares
Proteção renal
Ou seja, são medicamentos que mudam o curso da doença metabólica, especialmente em contextos de risco elevado.
E quanto ao uso para obesidade?
Apesar dos GLP-1 também serem usados com sucesso no tratamento da obesidade, a indicação aprovada pela OMS refere-se ao uso no diabetes tipo 2, com comorbidades.
No entanto, a presença de obesidade como um dos critérios para uso já é um avanço, pois reconhece o impacto clínico do excesso de peso mesmo antes do diagnóstico de diabetes.
E o custo? Como fica?
Esse ainda é um dos grandes desafios. GLP-1 como Ozempic e Mounjaro ainda são medicamentos de alto custo, e isso limita o acesso em muitas partes do mundo.
A OMS foi clara: o preço não pode ser um fator de exclusão, e a inclusão na lista deve funcionar como um catalisador para iniciativas de acesso, seja por meio de programas governamentais, negociações internacionais ou estímulo à produção de versões acessíveis.
O que muda na prática clínica?
Na prática, essa decisão da OMS:
Dá mais respaldo técnico e ético ao uso desses medicamentos
Fortalece diretrizes clínicas que já priorizam GLP-1 em pacientes com risco cardiovascular
Abre espaço para políticas públicas e convênios avaliarem o custo-benefício do uso ampliado
Reconhece a obesidade como um fator de risco grave e tratável
Como médica endocrinologista, o que posso dizer?
Vejo essa decisão como um passo histórico na luta por uma saúde metabólica mais justa.
Pacientes com diabetes tipo 2, obesidade e risco cardiovascular não podem ser deixados de lado. Ter acesso a medicações que comprovadamente reduzem risco de morte, infarto e progressão da doença é um direito, não um luxo.
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Você ou alguém da sua família está em tratamento para diabetes tipo 2 e tem dificuldade de controlar a glicose, perder peso ou prevenir complicações?
Vamos conversar.
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Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.