Mounjaro pode aumentar a testosterona? O que mostra o novo estudo sobre tirzepatida e hipogonadismo metabólico

Em homens com obesidade, a tirzepatida (Mounjaro) pode melhorar a testosterona naturalmente ao tratar o hipogonadismo metabólico e a resistência à insulina.

O elo entre obesidade e testosterona baixa

Nem toda testosterona baixa significa que o corpo “parou de produzir hormônio”.

Em muitos homens com obesidade, a queda dos níveis hormonais é consequência direta de um desequilíbrio metabólico, o que chamamos de hipogonadismo funcional ou metabólico.

Nesse quadro, o excesso de gordura corporal, especialmente a visceral, aumenta a conversão da testosterona em estradiol e reduz a sensibilidade do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.

O resultado? Menos testosterona livre circulante, cansaço, perda de libido, diminuição da massa magra e acúmulo de gordura abdominal.

O que mostra o novo estudo com tirzepatida

Um estudo piloto publicado recentemente avaliou homens com obesidade e hipogonadismo metabólico divididos em três grupos:

1️⃣ Tirzepatida (Mounjaro)

2️⃣ Mudanças no estilo de vida

3️⃣ Testosterona transdérmica

Após apenas dois meses, os resultados foram surpreendentes: o grupo que utilizou tirzepatida apresentou:

✅ Maior perda de peso e gordura corporal

✅ Aumento da massa magra

✅ Elevação dos níveis de testosterona total e livre

✅ Melhora dos níveis de LH e FSH

✅ Redução do estradiol

Tudo isso sem reposição hormonal.

Por que isso acontece?

A tirzepatida atua em dois receptores hormonais: o GLP-1 e o GIP, regulando o apetite, a saciedade e a secreção de insulina.

Ao promover uma perda de peso significativa e reduzir a gordura visceral, ela restaura o equilíbrio hormonal que estava comprometido pela resistência à insulina e pelo excesso de aromatização.

O resultado é um efeito “duplo”: melhora metabólica e melhora gonadal.

Ou seja, o corpo volta a produzir testosterona naturalmente, sem necessidade imediata de reposição.

Tirzepatida versus reposição de testosterona

Um achado interessante do estudo é que o grupo tratado com testosterona transdérmica apresentou aumento dos níveis de estradiol, provavelmente pela aromatização periférica.

Já o grupo com tirzepatida teve redução do estradiol e melhora da função erétil, medida pelo questionário IIEF-5.

Esses dados reforçam a importância de entender a causa da testosterona baixa antes de indicar reposição.

Nos casos em que o hipogonadismo é funcional (associado à obesidade ou resistência à insulina), tratar a causa metabólica pode ser o melhor caminho.

Quando a reposição é realmente indicada

A terapia de reposição de testosterona (TRT) tem papel importante nos casos de hipogonadismo orgânico, em que há falha testicular ou disfunção hipofisária comprovada.

Mas no hipogonadismo funcional, mais comum em homens com obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2,  a prioridade deve ser tratar o metabolismo.

Ao corrigir a resistência à insulina, reduzir gordura visceral e melhorar a saúde hepática, os níveis hormonais tendem a se normalizar naturalmente.

Mensagem prática

➡️ Homens com obesidade e sintomas de testosterona baixa não devem iniciar reposição por conta própria.

O primeiro passo é entender se o quadro é funcional (reversível) ou orgânico (irreversível).

📍 O endocrinologista é o profissional indicado para avaliar o contexto, investigar as causas e definir o melhor plano terapêutico, que pode incluir medicações como a tirzepatida, mudanças no estilo de vida e acompanhamento individualizado.

Conclusão

O estudo reforça o que já observamos na prática clínica: tratar a obesidade é tratar o hormônio.

Em muitos casos, o corpo volta a produzir testosterona quando o metabolismo se reequilibra.

A tirzepatida surge, portanto, como uma ferramenta inovadora e promissora no manejo do hipogonadismo metabólico, ao atuar na raiz do problema e não apenas nos sintomas.

Este conteúdo é de caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Não se destina a prescrever ou recomendar qualquer tratamento específico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer medicação ou terapia.

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Elisa Nico

Endocrinologista especializada em obesidade, tireoide, menopausa e bem-estar.